Ribeirão Preto e o trânsito 2
Trânsito tem que fluir. O congestionamento afeta o bem-estar de inúmeras pessoas que, presas no trânsito, ficam nervosas e passam a se comportar instintivamente, afastando-se de toda e qualquer racionalidade. Além disso, tempo é dinheiro; o congestinamento causa perdas de combustível e perdas financeiras pelo atraso. Conclusão: trânsito tem que fluir.
Trânsito é utilitário, e não entretenimento (entretenimento é vídeo-game!). Trenzinho da alegria numa cidade como Ribeirão Preto é ruim para os motoristas e ruim para as crianças.
Trânsito é utilitário, e não entretenimento (entretenimento é vídeo-game!). Trenzinho da alegria numa cidade como Ribeirão Preto é ruim para os motoristas e ruim para as crianças.
Ribeirão Preto e o trânsito
Quem desce de carro a Camilo de Mattos até a Meira Júnior sabe do transtorno que é enfrentar aqueles dois últimos semáforos, devido ao diminuto tempo em que ficam no "verde". Por volta das 18 hs, então, a situação fica crítica. Mas a coisa piora mesmo quando alguém resolve estacionar na última quadra da Camilo de Mattos: o semáforo abre, no entanto o trânsito simplesmente não flui, porque alguém está estacionando ali, e quando termina de estacionar, o semáforo já fechou. Imagino que nesta última quadra deveria ser proibido estacionar.
Sherlock vai às compras
Na composição da Receita Bruta Total de um grande supermercado, de quanto será a margem de contribuição de cada produto vendido? Vamos investigar.
Tenho em mãos um folheto de promoções do supermercado Carrefour Bairro (de Ribeirão Preto, válido de 28/1 a 7/2) anunciando um tablete de chocolate Garoto de 180g por R$ 3,79. Levando-se 3, paga-se 2, ou seja, cada unidade sai por R$ 2,53. Admitindo-se que, mesmo em promoção, o produto não está sendo vendido por preço abaixo do custo, temos que o custo máximo de um tablete é de R$ 2,52. Assim, podemos calcular a margem de contribuição:
(3,79-2,52)/3,79 = 1,27/3,79 = 0,335
Donde concluímos que a margem de contribuição deste produto é de pelo menos 33,5% do preço de venda. Pessoalmente, creio que a margem deva ser um pouco maior, algo em torno de 50%.
Estendendo o raciocínio para outros produtos anunciados, encontramos:
Bombom Sem Parar Nestlé 120g:
(2,59-1,93)/2,59 = 0,66/2,59 = 25,5%
Bebida Kapo 200ml:
(0,89-0,73)/0,89 = 0,16/0,89 = 18,0%
Tenho em mãos um folheto de promoções do supermercado Carrefour Bairro (de Ribeirão Preto, válido de 28/1 a 7/2) anunciando um tablete de chocolate Garoto de 180g por R$ 3,79. Levando-se 3, paga-se 2, ou seja, cada unidade sai por R$ 2,53. Admitindo-se que, mesmo em promoção, o produto não está sendo vendido por preço abaixo do custo, temos que o custo máximo de um tablete é de R$ 2,52. Assim, podemos calcular a margem de contribuição:
(3,79-2,52)/3,79 = 1,27/3,79 = 0,335
Donde concluímos que a margem de contribuição deste produto é de pelo menos 33,5% do preço de venda. Pessoalmente, creio que a margem deva ser um pouco maior, algo em torno de 50%.
Estendendo o raciocínio para outros produtos anunciados, encontramos:
Bombom Sem Parar Nestlé 120g:
(2,59-1,93)/2,59 = 0,66/2,59 = 25,5%
Bebida Kapo 200ml:
(0,89-0,73)/0,89 = 0,16/0,89 = 18,0%
Agora ou depois: TVs de led
É inegável que as TVs de led têm uma qualidade de imagem muito superior à da apresentada por uma TV LCD convencional (não-led), e eu estaria disposto a pagar a mais por esta qualidade superior se considerasse justa a diferença de preço.
Mas, cá entre nós, a diferença de preço não parece nem um pouco justa, não é mesmo?
Afinal, a simples substituição de uma lâmpada grande (na parte de trás da tela) por dezenas de lampadinhas não poderia aumentar tanto assim o custo de produção de uma TV. O painel de cristal líquido, os auto-falantes, o plástico da moldura... são todos os mesmos componentes. Com a palavra, os engenheiros.
Por isso é que eu acho que, muito em breve, o preço da TV de led vai cair para o mesmo patamar de preço da outra. E quem conseguir esperar, vai poupar uma boa grana.
Mas, cá entre nós, a diferença de preço não parece nem um pouco justa, não é mesmo?
Afinal, a simples substituição de uma lâmpada grande (na parte de trás da tela) por dezenas de lampadinhas não poderia aumentar tanto assim o custo de produção de uma TV. O painel de cristal líquido, os auto-falantes, o plástico da moldura... são todos os mesmos componentes. Com a palavra, os engenheiros.
Por isso é que eu acho que, muito em breve, o preço da TV de led vai cair para o mesmo patamar de preço da outra. E quem conseguir esperar, vai poupar uma boa grana.
Comércio on-line: engatinhando
Acabo de encomendar o livro Introdução à Economia, do Mankiw - tradução da 5a. edição norte-americana. Fiz a compra on-line, no site Americanas.com.
Não posso recomendar este site para ninguém, devido a um pequeno detalhe, mas que faz toda a diferença. Trata-se da falta de transparência no relacionamento com o consumidor.
Depois de efetuado o pedido, se você quiser saber mais detalhes sobre os itens comprados, ficará a ver navios. No meu caso, por exemplo, a única coisa que o site me informa é que comprei um tal "Livro - Introdução à Economia"; o site não me informa qual autor, qual edição, qual ISBN, enfim, nenhum outro detalhe que permita identificar inequivocamente o item comprado, nem mesmo um código interno da loja que faça referência ao produto. Não dá para clicar no escrito "Livro - Introdução à Economia" e chegar na página do produto, pois não se trata de um link.
Americanas.com, nunca mais.
Não posso recomendar este site para ninguém, devido a um pequeno detalhe, mas que faz toda a diferença. Trata-se da falta de transparência no relacionamento com o consumidor.
Depois de efetuado o pedido, se você quiser saber mais detalhes sobre os itens comprados, ficará a ver navios. No meu caso, por exemplo, a única coisa que o site me informa é que comprei um tal "Livro - Introdução à Economia"; o site não me informa qual autor, qual edição, qual ISBN, enfim, nenhum outro detalhe que permita identificar inequivocamente o item comprado, nem mesmo um código interno da loja que faça referência ao produto. Não dá para clicar no escrito "Livro - Introdução à Economia" e chegar na página do produto, pois não se trata de um link.
Americanas.com, nunca mais.
Profecia 1
Hoje um aparelho leitor de blu-ray da Sony ou da Samsung custa exatamente R$ 999,00. No próximo Natal custará menos de R$ 500,00. Estou prevendo que em um ano seu preço cairá pela metade. Quem puder aguardar, poupará uma boa grana.
Aos ricos o dinheiro 3
Isso sem falar na vantagem que os ricos levam no sorteio, pois como gastam mais, ganham mais cupons, e têm, portanto, chances maiores de ganhar os prêmios.
Aos ricos o dinheiro 2
Vejamos um exemplo numérico.
Como podemos ver, o rico ficará mais rico do que ficaria antes, enquanto que a situação do pobre não será alterada.
| ANTES DO PROGRAMA NFP | Rico | Pobre |
| Salário mensal | 9.000 | 2.000 |
| Gastos | 4.000 | 2.000 |
| Poupança | 5.000 | 0 |
| Enriquecimento | 5.000 | 0 |
| DEPOIS DO PROGRAMA NFP | Rico | Pobre |
| Salário mensal | 9.000 | 2.000 |
| Gastos | 4.000 | 2.000 |
| Poupança | 5.000 | 0 |
| Créditos de ICMS | 40 | 20 |
| Créditos gastos no consumo | 0 | 20 |
| Enriquecimento | 5.040 | 0 |
Como podemos ver, o rico ficará mais rico do que ficaria antes, enquanto que a situação do pobre não será alterada.
Aos ricos o dinheiro
O programa Nota Fiscal Paulista do governo do Estado de São Paulo tem um efeito colateral indesejável, que é o de aumentar a concentração de renda. Vejamos.
É razoável admitir que, desde que foi lançado, o programa NFP não influenciou o comportamento das pessoas no que diz respeito à sua propensão a gastar. Quero dizer, com isto, que com o advento do referido programa, as pessoas não alteraram, só por causa dele, seus hábitos de consumo ou dispêndio. Eu, pelo menos, não conheço ninguém que tenha passado a gastar mais só para "ganhar créditos de ICMS".
Oras, se ninguém mudou seus hábitos de dispêndio e continua comprando com a mesma freqüência, intensidade e quantidade de antes, então a renda que sobra para cada um poupar (como sabem, sua renda pode ter dois destinos: dispêndio ou poupança) também continua a mesma. Ou quase. Porque agora, ao rico, sobrará também o valor do crédito do ICMS que lhe for concedido. E ao pobre? Bem, o pobre provavelmente vai gastar todo o crédito que receber.
É razoável admitir que, desde que foi lançado, o programa NFP não influenciou o comportamento das pessoas no que diz respeito à sua propensão a gastar. Quero dizer, com isto, que com o advento do referido programa, as pessoas não alteraram, só por causa dele, seus hábitos de consumo ou dispêndio. Eu, pelo menos, não conheço ninguém que tenha passado a gastar mais só para "ganhar créditos de ICMS".
Oras, se ninguém mudou seus hábitos de dispêndio e continua comprando com a mesma freqüência, intensidade e quantidade de antes, então a renda que sobra para cada um poupar (como sabem, sua renda pode ter dois destinos: dispêndio ou poupança) também continua a mesma. Ou quase. Porque agora, ao rico, sobrará também o valor do crédito do ICMS que lhe for concedido. E ao pobre? Bem, o pobre provavelmente vai gastar todo o crédito que receber.
Dr. Marketing ataca
Risível a propaganda da Fnac na contra-capa e primeira página da Revide desta semana (edição número 478), pela artificialidade e pela falta de originalidade. Afinal, nada mais simplório no mundo da propaganda do que juntar pessoas com características físicas diferentes almejando cobrir todo o espectro do fenótipo brasileiro.
Vejam lá. Um fundo liso, verde, sem cenário. No primeiro plano, bem grande, quatro jovens sorrindo: uma morena, uma loira de pele mais clara, um rapaz com feições orientais e um de pele parda.
Como se fossem pessoas de naturezas diferentes, excludentes e complementares entre si. Como se cada um de nós, consumidores, só fosse se simpatizar por apenas um deles.
Ficou parecendo um livro de OSPB do Frei Betto.
Vejam lá. Um fundo liso, verde, sem cenário. No primeiro plano, bem grande, quatro jovens sorrindo: uma morena, uma loira de pele mais clara, um rapaz com feições orientais e um de pele parda.
Como se fossem pessoas de naturezas diferentes, excludentes e complementares entre si. Como se cada um de nós, consumidores, só fosse se simpatizar por apenas um deles.
Ficou parecendo um livro de OSPB do Frei Betto.
Como espantar seu cliente para sempre
Bem, "para sempre" não passa de um pleonasmo, não é mesmo?
No mês passado, a trabalho em São Paulo, após o expediente, fui me deslumbrar com as maravilhas tecnológicas e os livros à venda na Fnac da Avenida Paulista. Lá dentro tem um café da franquia Fran's. Pois bem. Faminto, pedi duas empadas, uma de frango e uma de palmito, a R$ 3,70 cada. Sentei-me. Comi a primeira bem devagar, mas mesmo assim não consegui descobrir de qual das duas se tratava, devido a seu indecifrável sabor. Quanto à segunda, não consegui lhe dar mais do que uma mordida, que foi prontamente seguida pela devolução do bolo alimentar no cestinho, tão ruim foi a sensação que se apoderou de mim. Naquele momento, algo me lembrava óleo de carro. Interessante ver como numa situação desta o organismo inteiro da gente parece reagir muito rapidamente no sentido de repelir o corpo intruso: você sua, estremece, e a voz da consciência no seu cérebro parece gritar "não engula isso, se não quiser passar mal depois". Cuspi tudo no cestinho, deixei o resto da empada intacto e saí logo de lá. Bom, depois desta, vocês sabem, Fran's Café nunca mais (nem de graça).
Mas dia ruim não tem hora pra acabar. Saindo do metrô Paraíso, se você for caminhando em direção a Ana Rosa, tem um posto Ipiranga com uma lanchonete chamada Posto do Açaí (ex-Ilha do Camarão). Então, naquele mesmo dia, mais tarde, parei lá e pedi um suco de laranja, que me custou R$ 4,00. Veja bem, eu estava na minha rota usual, passo por ali sempre que tenho que tomar o metrô, na ida e na volta, e na vida corrida de São Paulo um suco natural vem bem a calhar. Se eu gostasse daquele suco, faria gosto de comprá-lo todas as vezes que ficasse minimamente com vontade. Iam vender suco para mim nos próximos 30 anos, pelo menos. E o que ocorre? A mocinha me atende, pega o dinheiro, me dá o troco, e vai expremer as laranjas sem lavar as mãos! É uma pena, mas certamente nunca mais entrarei lá novamente.
No mês passado, a trabalho em São Paulo, após o expediente, fui me deslumbrar com as maravilhas tecnológicas e os livros à venda na Fnac da Avenida Paulista. Lá dentro tem um café da franquia Fran's. Pois bem. Faminto, pedi duas empadas, uma de frango e uma de palmito, a R$ 3,70 cada. Sentei-me. Comi a primeira bem devagar, mas mesmo assim não consegui descobrir de qual das duas se tratava, devido a seu indecifrável sabor. Quanto à segunda, não consegui lhe dar mais do que uma mordida, que foi prontamente seguida pela devolução do bolo alimentar no cestinho, tão ruim foi a sensação que se apoderou de mim. Naquele momento, algo me lembrava óleo de carro. Interessante ver como numa situação desta o organismo inteiro da gente parece reagir muito rapidamente no sentido de repelir o corpo intruso: você sua, estremece, e a voz da consciência no seu cérebro parece gritar "não engula isso, se não quiser passar mal depois". Cuspi tudo no cestinho, deixei o resto da empada intacto e saí logo de lá. Bom, depois desta, vocês sabem, Fran's Café nunca mais (nem de graça).
Mas dia ruim não tem hora pra acabar. Saindo do metrô Paraíso, se você for caminhando em direção a Ana Rosa, tem um posto Ipiranga com uma lanchonete chamada Posto do Açaí (ex-Ilha do Camarão). Então, naquele mesmo dia, mais tarde, parei lá e pedi um suco de laranja, que me custou R$ 4,00. Veja bem, eu estava na minha rota usual, passo por ali sempre que tenho que tomar o metrô, na ida e na volta, e na vida corrida de São Paulo um suco natural vem bem a calhar. Se eu gostasse daquele suco, faria gosto de comprá-lo todas as vezes que ficasse minimamente com vontade. Iam vender suco para mim nos próximos 30 anos, pelo menos. E o que ocorre? A mocinha me atende, pega o dinheiro, me dá o troco, e vai expremer as laranjas sem lavar as mãos! É uma pena, mas certamente nunca mais entrarei lá novamente.
A riqueza do mundo 3
Terminando a série (antes que a crise acabe), lembremo-nos do ganho ambiental que a queda do nível de produção pode nos ter proporcionado: recursos naturais foram poupados, ao mesmo tempo em que se diminuiu o lixo gerado.
Não, não estou defendendo o fim da produção em troca da preservação do meio ambiente. Não é isso. Aliás, vamos deixar claro, acho que o bem-estar da humanidade deve prevalecer sobre a preservação do meio ambiente e que, portanto, podemos usufruir dele à vontade, até o ponto em que sua degeneração marginal passe a afetar o nosso próprio bem-estar (coletivo, da humanidade).
A questão que trago ao debate é que devido aos custos escondidos (que talvez sejam crescentes) da produção, não podemos e não devemos buscar uma produção cada vez maior, sem levar em consideração a existência de um limite, a partir do qual o dano ao meio ambiente superaria o acréscimo de bem-estar produzido. Podemos entender este limite como um ponto de produção ótima, que não deveria ser ultrapassado; este é o nível da sustentabilidade.
E como ninguém sabe se já ultrapassamos este limite, ou se ainda estamos longe de alcançá-lo, então, na dúvida, por prudência, temos que todo e qualquer ganho ambiental deve ser visto como um fato positivamente relevante.
Não, não estou defendendo o fim da produção em troca da preservação do meio ambiente. Não é isso. Aliás, vamos deixar claro, acho que o bem-estar da humanidade deve prevalecer sobre a preservação do meio ambiente e que, portanto, podemos usufruir dele à vontade, até o ponto em que sua degeneração marginal passe a afetar o nosso próprio bem-estar (coletivo, da humanidade).
A questão que trago ao debate é que devido aos custos escondidos (que talvez sejam crescentes) da produção, não podemos e não devemos buscar uma produção cada vez maior, sem levar em consideração a existência de um limite, a partir do qual o dano ao meio ambiente superaria o acréscimo de bem-estar produzido. Podemos entender este limite como um ponto de produção ótima, que não deveria ser ultrapassado; este é o nível da sustentabilidade.
E como ninguém sabe se já ultrapassamos este limite, ou se ainda estamos longe de alcançá-lo, então, na dúvida, por prudência, temos que todo e qualquer ganho ambiental deve ser visto como um fato positivamente relevante.
A riqueza do mundo 2
Se o mundo não ficou mais pobre, como explicar que os efeitos da crise tenham atingido proporções catastróficas?
A riqueza existente pode ter mudado de mãos.
A riqueza existente pode ter mudado de mãos.
A riqueza do mundo
Com a crise, o mundo ficou mais pobre? Vejamos.
Riqueza é variável-estoque, ao contrário de PIB, que é variável-fluxo.
O mundo terá ficado mais pobre se a riqueza atual for menor do que a riqueza de antes. A riqueza atual é igual à riqueza de antes acrescida da riqueza produzida e diminuída da riqueza destruída.
O PIB mede a riqueza produzida. Por isto, as sucessivas quedas do PIB por todo lugar no globo terrestre indicam que a humanidade está produzindo menos riqueza agora.
E no que diz respeito ao outro termo da equação: o quanto de riqueza estamos destruindo? É difícil quantificar. Mas é fácil admitir que a variável-fluxo "riqueza destruída" também tenha diminuído.
Afinal, se a produção de aparelhos celulares caiu, significa que mais pessoas deixaram de comprar aparelhos novos, conservando em uso os aparelhos que já possuíam, em vez de jogá-los fora. Se a produção de armários caiu, significa que mais pessoas estão usando o mesmo armário por mais tempo. E por aí vai.
Quando estendemos a vida útil de um bem qualquer, ao mesmo tempo em que diminui-se a demanda pela "produção de riqueza", diminui-se também a "destruição de riqueza".
A partir desta teoria, é possível admitir que as variáveis "riqueza-produzida" e "riqueza-destruída" mantêm, em certo grau, correlação positiva. Perceberemos então que programas governamentais de estímulo a substituição de bens duráveis, como os de troca de eletrodomésticos da linha branca e de automóveis, podem ter seu lado perverso. Em minha opinião, o governo deveria incentivar as pessoas a conservarem bem os seus bens.
A crise pode ter causado ruínas pessoais. Pode ter levado indivíduos ao desespero. E por isso ela é definitivamente ruim. Mas se quisermos entender a economia, não podemos deixar de levar em consideração todos os efeitos que consigamos enxergar que advêm da crise.
Riqueza é variável-estoque, ao contrário de PIB, que é variável-fluxo.
O mundo terá ficado mais pobre se a riqueza atual for menor do que a riqueza de antes. A riqueza atual é igual à riqueza de antes acrescida da riqueza produzida e diminuída da riqueza destruída.
O PIB mede a riqueza produzida. Por isto, as sucessivas quedas do PIB por todo lugar no globo terrestre indicam que a humanidade está produzindo menos riqueza agora.
E no que diz respeito ao outro termo da equação: o quanto de riqueza estamos destruindo? É difícil quantificar. Mas é fácil admitir que a variável-fluxo "riqueza destruída" também tenha diminuído.
Afinal, se a produção de aparelhos celulares caiu, significa que mais pessoas deixaram de comprar aparelhos novos, conservando em uso os aparelhos que já possuíam, em vez de jogá-los fora. Se a produção de armários caiu, significa que mais pessoas estão usando o mesmo armário por mais tempo. E por aí vai.
Quando estendemos a vida útil de um bem qualquer, ao mesmo tempo em que diminui-se a demanda pela "produção de riqueza", diminui-se também a "destruição de riqueza".
A partir desta teoria, é possível admitir que as variáveis "riqueza-produzida" e "riqueza-destruída" mantêm, em certo grau, correlação positiva. Perceberemos então que programas governamentais de estímulo a substituição de bens duráveis, como os de troca de eletrodomésticos da linha branca e de automóveis, podem ter seu lado perverso. Em minha opinião, o governo deveria incentivar as pessoas a conservarem bem os seus bens.
A crise pode ter causado ruínas pessoais. Pode ter levado indivíduos ao desespero. E por isso ela é definitivamente ruim. Mas se quisermos entender a economia, não podemos deixar de levar em consideração todos os efeitos que consigamos enxergar que advêm da crise.
Desconto nos três primeiros meses para novos assinantes
Considero enganosas as promoções de vendas que dão um desconto no valor da mensalidade por um período de tempo limitado sem indicar com clareza, na peça publicitária, qual é o preço normal do serviço. Ainda mais quando exigem "fidelidade" de um ou dois anos por meio de uma multa contratual desproporcional.
Assim, acho que seria muito oportuna a inclusão do seguinte trecho no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990):
"Art. 37. Parágrafo quinto. Na veiculação de publicidade em que conste preço promocional cuja vigência não vá se estender por toda a duração do contrato deverá constar expressamente o preço a ser praticado após o término do período promocional, bem como o prazo mínimo de validade do contrato, se houver, tudo em caracteres do mesmo tamanho e pelo mesmo tempo de exibição."
Assim, acho que seria muito oportuna a inclusão do seguinte trecho no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990):
"Art. 37. Parágrafo quinto. Na veiculação de publicidade em que conste preço promocional cuja vigência não vá se estender por toda a duração do contrato deverá constar expressamente o preço a ser praticado após o término do período promocional, bem como o prazo mínimo de validade do contrato, se houver, tudo em caracteres do mesmo tamanho e pelo mesmo tempo de exibição."
Liberdade tarifária para vôos internacionais
Vamos acompanhar o desenvolvimento do mercado de vôos internacionais diante da liberação tarifária iniciada recentemente pela ANAC.
Atualmente, indo de Guarulhos a Nova Iorque pela TAM paga-se o seguinte:
IDA
De: São Paulo (Guarulhos)
Para: New York - Kennedy
Saída: 08:45; 25/05/2009; segunda-feira
Chegada: 17:45; 25/05/2009; segunda-feira
VOLTA
De: New York - Kennedy
Para: São Paulo (Guarulhos)
Saída: 09:25; 29/05/2009; sexta-feira
Chegada: 20:25; 29/05/2009; sexta-feira
TOTAL IDA e VOLTA: R$ 1.330,07
Taxas: R$ 278,31
TOTAL COM TAXAS: R$ 1.608,38
O preço de referência estipulado pela ANAC em 22/04/2009 para vôos partindo do Brasil com destino aos Estados Unidos era de 708 dólares, o que equivale a cerca de R$ 1.550,00 pelo dólar turismo.
Apresentamos abaixo a cotação do dólar obtida no site INFOMONEY em 11/05/2009 às 15:20, que é quando foi feita a cotação da passagem.
A partir de 23/04/2010 passará a vigorar o regime de liberdade tarifária plena. Na ocasião, então, veremos qual será o preço praticado.
Atualmente, indo de Guarulhos a Nova Iorque pela TAM paga-se o seguinte:
IDA
De: São Paulo (Guarulhos)
Para: New York - Kennedy
Saída: 08:45; 25/05/2009; segunda-feira
Chegada: 17:45; 25/05/2009; segunda-feira
VOLTA
De: New York - Kennedy
Para: São Paulo (Guarulhos)
Saída: 09:25; 29/05/2009; sexta-feira
Chegada: 20:25; 29/05/2009; sexta-feira
TOTAL IDA e VOLTA: R$ 1.330,07
Taxas: R$ 278,31
TOTAL COM TAXAS: R$ 1.608,38
O preço de referência estipulado pela ANAC em 22/04/2009 para vôos partindo do Brasil com destino aos Estados Unidos era de 708 dólares, o que equivale a cerca de R$ 1.550,00 pelo dólar turismo.
Apresentamos abaixo a cotação do dólar obtida no site INFOMONEY em 11/05/2009 às 15:20, que é quando foi feita a cotação da passagem.
| Compra | Venda | |
| Dólar Comercial | 2,0590 | 2,0610 |
| Dólar Paralelo | 2,1000 | 2,3000 |
| Dólar Turismo | 1,9600 | 2,1900 |
A partir de 23/04/2010 passará a vigorar o regime de liberdade tarifária plena. Na ocasião, então, veremos qual será o preço praticado.
Spread bancário: a obsessão 2
Riconildo tem 1 milhão de reais guardados na poupança, que lhe rendem 0,8% ao mês. Certo dia, resolve emprestar todo este dinheiro aos seus amigos e parentes, cobrando uma taxa de juros de 1,2% ao mês. Riconildo ficará satisfeito com esta taxa, porque é mais do que a poupança lhe paga. Do mesmo modo, os tomadores ficarão contentíssimos com esta taxa, porque ela representa hoje menos da metade daquela praticada nas operações de empréstimo pessoal.
Riconildo não vai fazer captação de recursos no mercado, porque ele não se permite endividar-se; deseja apenas emprestar o que já é seu. E tem mais: Riconildo anda na linha e quer fazer tudo dentro da lei, constituindo formalmente uma sociedade de crédito e operando com autorização do Banco Central. Será que Riconildo consegue?
Não, ele não consegue. O Banco Central do Brasil exige um capital social mínimo de 7 milhões de reais como requisito para autorizar a constituição de praticamente qualquer sociedade de crédito, e esta quantia Riconildo não possui.
É uma pena, porque se Riconildo conseguisse autorização para operar, ele poderia injetar 1 milhão de reais no mercado de crédito, contribuindo para o aumento da oferta do dinheiro e, conseqüentemente, para a diminuição do spread bancário. Sem opção, Riconildo terá que deixar o dinheiro guardado na poupança, quando então o banco, agindo como mero intermediário, poderá emprestá-lo a juros nada módicos e ficará com a maior parte dos ganhos.
Claro que uma pessoa só não teria o poder de influenciar o mercado. Mas imagine agora 5 mil pessoas emprestando 1 milhão de reais cada: isto significaria um acréscimo de 5 bilhões de reais no mercado de crédito. Aí sim, não tenho dúvidas de que o crédito ficaria mais barato no país.
Riconildo não vai fazer captação de recursos no mercado, porque ele não se permite endividar-se; deseja apenas emprestar o que já é seu. E tem mais: Riconildo anda na linha e quer fazer tudo dentro da lei, constituindo formalmente uma sociedade de crédito e operando com autorização do Banco Central. Será que Riconildo consegue?
Não, ele não consegue. O Banco Central do Brasil exige um capital social mínimo de 7 milhões de reais como requisito para autorizar a constituição de praticamente qualquer sociedade de crédito, e esta quantia Riconildo não possui.
É uma pena, porque se Riconildo conseguisse autorização para operar, ele poderia injetar 1 milhão de reais no mercado de crédito, contribuindo para o aumento da oferta do dinheiro e, conseqüentemente, para a diminuição do spread bancário. Sem opção, Riconildo terá que deixar o dinheiro guardado na poupança, quando então o banco, agindo como mero intermediário, poderá emprestá-lo a juros nada módicos e ficará com a maior parte dos ganhos.
Claro que uma pessoa só não teria o poder de influenciar o mercado. Mas imagine agora 5 mil pessoas emprestando 1 milhão de reais cada: isto significaria um acréscimo de 5 bilhões de reais no mercado de crédito. Aí sim, não tenho dúvidas de que o crédito ficaria mais barato no país.
Spread bancário: a obsessão
Alguém precisa avisar ao Sr. Presidente que ele não vai conseguir reduzir o spread bancário sem antes desconcentrar o mercado de crédito.
E para isto, tem é que estimular e facilitar a entrada de novos ofertantes no mercado.
Infelizmente, nosso Banco Central tem feito justamente o contrário. Hoje, quem deseja ingressar no Sistema Financeiro Nacional, ainda que seja só para oferecer crédito, encontra barreiras intransponíveis. Para toda espécie de instituição financeira há requisitos de capital mínimo em determinados montantes que não se justificam do ponto de vista técnico.
Afinal, não há razões para exigir tanto de quem só quer oferecer crédito, pois emprestadores que não fazem captação não têm como causar dano à boa ordem financeira.
E para isto, tem é que estimular e facilitar a entrada de novos ofertantes no mercado.
Infelizmente, nosso Banco Central tem feito justamente o contrário. Hoje, quem deseja ingressar no Sistema Financeiro Nacional, ainda que seja só para oferecer crédito, encontra barreiras intransponíveis. Para toda espécie de instituição financeira há requisitos de capital mínimo em determinados montantes que não se justificam do ponto de vista técnico.
Afinal, não há razões para exigir tanto de quem só quer oferecer crédito, pois emprestadores que não fazem captação não têm como causar dano à boa ordem financeira.
Cinema de graça 2
Sobre o filme: é um drama. Leve, mas drama. Não caiam nessa de que é uma "comédia dramática" (até porque isso não deve existir). Possui alguns momentos de humor, como todo filme pode ter. Como comédia, não se compara a Scoop. Como drama, vale a pena ver.
Cinema de graça
Sábado fui ao Cine Cauim. Sessão das 16:30 hs. Vicky Cristina Barcelona. Entrada franca.
Tinha umas 150 pessoas. Gostaria de entender a razão pela qual o cinema não estava lotado. Lá devem caber umas 1.000 pessoas e este é um filme relativamente recente, com estrelas das mais famosas, e que deveria atrair muito mais gente. A imagem estava boa, o som também, e a cadeira perfeitamente apropriada.
Agora me respondam: se era de graça, por que é que o Cine Cauim não estava lotado?
Tinha umas 150 pessoas. Gostaria de entender a razão pela qual o cinema não estava lotado. Lá devem caber umas 1.000 pessoas e este é um filme relativamente recente, com estrelas das mais famosas, e que deveria atrair muito mais gente. A imagem estava boa, o som também, e a cadeira perfeitamente apropriada.
Agora me respondam: se era de graça, por que é que o Cine Cauim não estava lotado?
Primeiro post
O objetivo deste blog é apresentar uma visão crítica sobre determinados assuntos e debatê-la com as pessoas interessadas.
Não pretendo convencer ninguém de nada; e se me proponho a argumentar, é apenas porque me dá prazer. Não leve este blog a sério; escrevo-o ouvindo música e tomando cerveja.
Ao ler posts antigos, tenha em mente que as pessoas estão sempre aprendendo e que suas idéias evoluem e amadurecem com o passar do tempo, o que as leva a mudar de opinião; por isso, me reservo o direito de já ter mudado de opinião.
Por fim, informo que pretendo abordar os mais variados temas, dando uma atenção especial para a área da economia, e, dentro dela, para as questões relacionadas aos preços em geral.
Não pretendo convencer ninguém de nada; e se me proponho a argumentar, é apenas porque me dá prazer. Não leve este blog a sério; escrevo-o ouvindo música e tomando cerveja.
Ao ler posts antigos, tenha em mente que as pessoas estão sempre aprendendo e que suas idéias evoluem e amadurecem com o passar do tempo, o que as leva a mudar de opinião; por isso, me reservo o direito de já ter mudado de opinião.
Por fim, informo que pretendo abordar os mais variados temas, dando uma atenção especial para a área da economia, e, dentro dela, para as questões relacionadas aos preços em geral.
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