Spread bancário: a obsessão 2

Riconildo tem 1 milhão de reais guardados na poupança, que lhe rendem 0,8% ao mês. Certo dia, resolve emprestar todo este dinheiro aos seus amigos e parentes, cobrando uma taxa de juros de 1,2% ao mês. Riconildo ficará satisfeito com esta taxa, porque é mais do que a poupança lhe paga. Do mesmo modo, os tomadores ficarão contentíssimos com esta taxa, porque ela representa hoje menos da metade daquela praticada nas operações de empréstimo pessoal.

Riconildo não vai fazer captação de recursos no mercado, porque ele não se permite endividar-se; deseja apenas emprestar o que já é seu. E tem mais: Riconildo anda na linha e quer fazer tudo dentro da lei, constituindo formalmente uma sociedade de crédito e operando com autorização do Banco Central. Será que Riconildo consegue?

Não, ele não consegue. O Banco Central do Brasil exige um capital social mínimo de 7 milhões de reais como requisito para autorizar a constituição de praticamente qualquer sociedade de crédito, e esta quantia Riconildo não possui.

É uma pena, porque se Riconildo conseguisse autorização para operar, ele poderia injetar 1 milhão de reais no mercado de crédito, contribuindo para o aumento da oferta do dinheiro e, conseqüentemente, para a diminuição do spread bancário. Sem opção, Riconildo terá que deixar o dinheiro guardado na poupança, quando então o banco, agindo como mero intermediário, poderá emprestá-lo a juros nada módicos e ficará com a maior parte dos ganhos.

Claro que uma pessoa só não teria o poder de influenciar o mercado. Mas imagine agora 5 mil pessoas emprestando 1 milhão de reais cada: isto significaria um acréscimo de 5 bilhões de reais no mercado de crédito. Aí sim, não tenho dúvidas de que o crédito ficaria mais barato no país.

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