Com a crise, o mundo ficou mais pobre? Vejamos.
Riqueza é variável-estoque, ao contrário de PIB, que é variável-fluxo.
O mundo terá ficado mais pobre se a riqueza atual for menor do que a riqueza de antes. A riqueza atual é igual à riqueza de antes acrescida da riqueza produzida e diminuída da riqueza destruída.
O PIB mede a riqueza produzida. Por isto, as sucessivas quedas do PIB por todo lugar no globo terrestre indicam que a humanidade está produzindo menos riqueza agora.
E no que diz respeito ao outro termo da equação: o quanto de riqueza estamos destruindo? É difícil quantificar. Mas é fácil admitir que a variável-fluxo "riqueza destruída" também tenha diminuído.
Afinal, se a produção de aparelhos celulares caiu, significa que mais pessoas deixaram de comprar aparelhos novos, conservando em uso os aparelhos que já possuíam, em vez de jogá-los fora. Se a produção de armários caiu, significa que mais pessoas estão usando o mesmo armário por mais tempo. E por aí vai.
Quando estendemos a vida útil de um bem qualquer, ao mesmo tempo em que diminui-se a demanda pela "produção de riqueza", diminui-se também a "destruição de riqueza".
A partir desta teoria, é possível admitir que as variáveis "riqueza-produzida" e "riqueza-destruída" mantêm, em certo grau, correlação positiva. Perceberemos então que programas governamentais de estímulo a substituição de bens duráveis, como os de troca de eletrodomésticos da linha branca e de automóveis, podem ter seu lado perverso. Em minha opinião, o governo deveria incentivar as pessoas a conservarem bem os seus bens.
A crise pode ter causado ruínas pessoais. Pode ter levado indivíduos ao desespero. E por isso ela é definitivamente ruim. Mas se quisermos entender a economia, não podemos deixar de levar em consideração todos os efeitos que consigamos enxergar que advêm da crise.
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